Problemas causados por fouling em tubos de quartzo de sistemas UV

Um dos maiores desafios operacionais enfrentados em sistemas ultravioletas é o fouling em tubos de quartzo, um fenômeno que reduz a eficiência do processo de desinfecção e gera custos adicionais de manutenção.

É bom contextualizar a importância desse processo para o tratamento de água e efluentes, uma vez que os reatores ultravioletas (UV) têm conquistado espaço devido à sua alta eficácia na desinfecção contra uma ampla variedade de microrganismos, como bactérias, vírus, protozoários, algas e patógenos resistentes ao cloro, como Cryptosporidium, Giardia, Legionella e C. parvum.

O que é o fouling em tubos de quartzo?

O fouling é o acúmulo de materiais sobre a superfície externa dos tubos de quartzo, formando uma barreira que reduz a passagem da radiação ultravioleta. Isso compromete a irradiância da lâmpada e, consequentemente, a eficiência da desinfecção.

Esse acúmulo pode ocorrer por diferentes mecanismos, de forma isolada ou combinada:

1. Fouling inorgânico

Incrustações de carbonatos de cálcio e magnésio, sílica, ferro e manganês.

2. Fouling orgânico

Deposição de matéria orgânica natural ou subprodutos de desinfecção.

3. Biofouling

Crescimento de biofilmes microbiológicos em ambientes ricos em nutrientes.

4. Fouling particulado

Acúmulo de sólidos suspensos em sistemas com pré-filtração deficiente.

Veja alguns exemplos visuais de fouling em tubos de quartzo:

Figura 1 – Fouling ocasionado pela deposição de ferro e dureza. Fonte: Blatchley, 2022
Figura 2 – Fouling causado por material particulado e matéria orgânica. Fonte: Blatchley, 2022

Consequências operacionais do fouling em tubos de quartzo

A formação de fouling em tubos de quartzo pode gerar:

– Redução da eficiência da desinfecção, comprometendo limites microbiológicos;

– Aumento do consumo de energia, pela compensação automática da potência das lâmpadas;

– Maior frequência de limpezas, elevando custos com mão de obra, químicos e paradas de sistema;

– Estresse térmico em lâmpadas e tubos, reduzindo a vida útil dos equipamentos.

A prevenção do fouling exige uma abordagem integrada, considerando tanto a qualidade da água quanto as condições de operação do sistema UV. Entre as principais medidas, destacam-se pré-tratamentos adequados, como:

– Filtros multimídia para retenção de sólidos suspensos;

– Abrandadores para redução de dureza;

– Filtros de GSP para remoção de ferro e manganês.

Além disso, o monitoramento contínuo é fundamental, principalmente através do uso de sensores de intensidade UV e alarmes de manutenção. Outras medidas são importantes, como sistemas de limpeza com escovas ou anéis automáticos, além de limpezas manuais com soluções seguras quando necessário.

Uma operação estável evita variações bruscas de vazão, temperatura ou qualidade da água, colaborando para um processo muito mais eficiente.

Na Liter, oferecemos soluções técnicas completas em engenharia para prevenir e corrigir problemas de fouling em sistemas de desinfecção ultravioleta, garantindo desempenho confiável e sustentável. Precisa de ajuda? Fale com nossos especialistas!

Leia também: Tratamento de água por UV.

Compartilhe esse conteúdo:

Leia também

Anti-incrustante e controle de incrustação na osmose reversa

A incrustação está entre as principais causas da perda de desempenho em sistemas de osmose reversa. Quando ocorre a precipitação de sais sobre as membranas, é comum haver redução da produção de permeado, aumento da perda de carga, maior frequência de limpezas químicas e elevação dos custos operacionais. O anti-incrustante em sistemas de osmose reversa é uma ferramenta fundamental para o controle de incrustação, contribuindo para reduzir o risco de precipitação de sais e manter a estabilidade da operação. No entanto, seu desempenho depende de uma estratégia integrada, que considere a qualidade da água de alimentação, a dosagem correta, o controle do pH, o monitoramento contínuo e a recuperação do sistema. Neste artigo, você vai entender como o anti-incrustante atua, quais fatores influenciam sua eficiência e por que a prevenção da incrustação depende de uma operação bem ajustada, e não apenas da escolha do produto. O que é incrustação e por que ela costuma aparecer no final do arranjo À medida que a água percorre o sistema de osmose reversa, a concentração de sais na corrente de concentrado aumenta. Quando esse limite é excedido, pode ocorrer a precipitação de compostos menos solúveis, favorecendo a incrustação por carbonato, sulfato e sílica

Leia Mais

Limpeza química em sistemas de osmose reversa: quando fazer e como evitar desperdício

A limpeza química em sistemas de osmose reversa é uma ferramenta fundamental para recuperar o desempenho das membranas e manter a eficiência operacional. No entanto, sua realização envolve custos com produtos químicos, consumo de água, parada do sistema, descarte de soluções e, quando realizada sem necessidade ou de forma inadequada, pode reduzir a vida útil das membranas. Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas na percepção de perda de desempenho, mas na análise de indicadores operacionais capazes de identificar a origem do problema. Parâmetros como diferencial de pressão e queda de vazão em sistemas de osmose reversa, qualidade do permeado e histórico de operação fornecem informações essenciais para determinar quando fazer limpeza química e quando outras ações podem ser mais adequadas. Neste artigo, você vai conhecer os principais critérios de limpeza química em sistemas de osmose reversa, entender como evitar desperdício em limpeza química de membranas e descobrir como uma avaliação técnica adequada contribui para a recuperação de desempenho, reduzindo custos e aumentando a confiabilidade da operação. O que a limpeza química resolve (e o que ela não resolve) A limpeza química em sistemas de osmose reversa é indicada quando a perda de desempenho está relacionada à formação

Leia Mais