Água desmineralizada para caldeiras de alta pressão

Caldeiras de alta pressão são equipamentos destinados à produção e acumulação de vapor sob temperaturas e pressão superiores às do ambiente. O vapor produzido possui ampla aplicação em indústrias, abrangendo desde a geração de energia elétrica e movimentação de máquinas até aquecimento, limpeza e esterilização de equipamentos e superfícies.

Devido às condições extremas de operação, a necessidade de controle e alta qualidade de água de alimentação se tornam essenciais para evitar adversidades operacionais, redução de eficiência e até mesmo a ocorrência de catástrofes maiores.

A presença de íons de cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e sódio (Na+) na forma de carbonatos, bicarbonatos, sulfatos, cloretos e hidróxidos podem levar à incrustação nos sistemas, dificultando a troca de calor e o escoamento do fluido. A corrosão, por sua vez, é ocasionada pela presença de gases dissolvidos, como O₂ e CO₂, que reduzem a resistência mecânica dos materiais metálicos e comprometem a estrutura das caldeiras de alta pressão.

A presença de sílica, especialmente em caldeiras de alta pressão, também é crítica, pois, nessas condições, a sílica pode volatilizar e ser arrastada com o vapor, provocando incrustações nas pás de turbinas de geração de energia, causando desbalanceamento, danos mecânicos e degradação da qualidade do vapor.

Tratamento de água para caldeiras de alta pressão

No tratamento da água de alimentação para caldeiras de alta pressão, os processos de desmineralização e polimento desempenham um papel crucial na obtenção da qualidade necessária. O tratamento geralmente inclui etapas de clarificação da água bruta (proveniente da estação de tratamento de água – ETA), filtração, desmineralização, desaeração e ajuste de pH antes da alimentação das caldeiras.

Atualmente, a Liter oferece soluções de desmineralização baseadas em resinas de troca iônica e membranas de osmose reversa.

1. Sistemas de troca iônica

Utilizam leitos desmineralizadores, geralmente compostos por colunas catiônicas e aniônicas. A coluna catiônica, equipada com resinas SAC no ciclo H⁺, remove os cátions presentes na água, enquanto a coluna aniônica, com resinas SBA no ciclo OH⁻, elimina os ânions. Esse processo resulta em água desmineralizada de alta pureza, sem contaminação por íons residuais, ideal para caldeiras de alta pressão.

Na linha básica de resinas, a Liter disponibiliza as catiônicas KC-08 e KH-80, bem como a aniônica SAR10. Para aplicações de maior desempenho, a linha Performance inclui as resinas MC-08 para remoção de cátions, e MA-12 e MA-20 para remoção de ânions.

2. Sistemas de osmose reversa

No tratamento por sistemas de osmose reversa, a Liter oferece o tratamento da água através das membranas LG. Com a nova tecnologia de nanocompositos, as membranas LG apresentam um maior fluxo de permeado produzido com uma maior rejeição de sais. O potencial zeta otimizado sobre a membrana atrelado aos novos espaçadores de membrana, impede com que a deposição de contaminantes ocorra tão facilmente, garantindo uma menor incrustação sobre ela.

Os modelos de membrana LG BW são perfeitos para o tratamento de águas salobras. Enquanto os modelos BW R e BW R G2 garantem uma altíssima rejeição de sais, os modelos BE R Dura possuem alta durabilidade. Adicionalmente, os modelos BW AFR G2 apresentam alta resistência à incrustação, sendo especialmente vantajosos em condições mais severas.

Para águas com alta salinidade, os modelos LG SW são amplamente recomendados. Dentro dessa linha, os modelos LG SW SR, LG SW GR e LG SW R garantem excelente desempenho na remoção de sais, atendendo às exigências mais rigorosas em processos de dessalinização.

Já o polimento da água desmineralizada, tem por ímpeto, a produção de águas com qualidades muito superiores, removendo totalmente a presença de cátions e ânions, tornando-a adequada para uso nas caldeiras de alta pressão. Água com condutividades inferiores a 0,1 μS/cm, concentrações de sílica entre que 10 e 20 ppb são alcançadas pela utilização das resinas de troca iônica da linha básica e Performance. Sistemas de leito regenerável são montados a partir das resinas SAC e SBA, na qual a Liter oferece as resinas SAC MC-08 e MC-10, e as resinas SBA MA-10, MA-12 e MA-20 para a linha Performance. Já para aplicações mais brandas, a linha básica oferece a resina SAC SCR-B, e as resinas SBA SAR10MB SAR20MB e KA-10MB.

Ainda tem dúvidas?

Entre em contato conosco e deixe nossos especialistas ajudarem você a encontrar a solução ideal para o seu tratamento de água e uso em caldeiras de alta pressão.

Leia mais: Desmineralização da água com resinas de troca iônica.

Compartilhe esse conteúdo:

Leia também

Como aumentar o ciclo de concentração em caldeiras

Entender e otimizar o ciclo de concentração em caldeiras é uma das formas mais diretas de reduzir purgas, economizar água/energia e proteger o equipamento. Isso porque mesmo com o tratamento convencional da água de alimentação, ainda podem permanecer pequenas quantidades de sais dissolvidos. Dentro da caldeira, a água evapora para gerar vapor, e os sais não evaporam junto. Resultado: eles se concentram no interior do sistema, podendo causar incrustação, danos estruturais, perda de eficiência e aumento no consumo de combustível. O que é o ciclo de concentração em caldeiras? O ciclo de concentração em caldeiras é a relação entre a concentração de um determinado íon (ou parâmetro) na água da caldeira e a concentração desse mesmo íon na água de alimentação. De forma prática: ele indica quantas vezes os sólidos dissolvidos estão mais concentrados dentro da caldeira em comparação à água que entra. A expressão mais comum é: N = [C]caldeira / [C]alimentação Onde: N = número de ciclos (adimensional) [C]caldeira = concentração de um íon na caldeira [C]alimentação = concentração do mesmo íon na água de alimentação A quantidade máxima de ciclos permitidos deve respeitar os limites do fabricante (exemplo: condutividade, sílica, alcalinidade etc.). Quanto maior o ciclo de

Leia Mais

Qualidade da água de entrada para sistema de osmose reversa

A qualidade da água de entrada é um dos fatores mais determinantes para o desempenho, a confiabilidade e a vida útil de um sistema de osmose reversa (OR). Como a OR é um processo de separação por membranas, qualquer desvio na qualidade dessa água de entrada pode resultar em problemas sérios, como incrustação, fouling orgânico, formação de biofilme, aumento de consumo de energia e redução da vazão de permeado. Por isso, entender quais parâmetros definem uma boa qualidade de água de entrada e como tratá-la corretamente antes das membranas é essencial para garantir eficiência e reduzir custos operacionais. O que é a água de entrada em um sistema de osmose reversa? Chamamos de água de entrada (ou água de alimentação) aquela que chega ao sistema de osmose reversa após as etapas anteriores de tratamento, como filtração, clarificação, abrandamento ou outros processos de condicionamento. É essa água de entrada que entra efetivamente nos vasos de pressão e entra em contato direto com as membranas. Se ela não estiver dentro dos parâmetros recomendados pelos fabricantes, os riscos de falhas e paradas não programadas aumentam significativamente. Em outras palavras: não existe bom desempenho em OR com água de entrada ruim. Parâmetros críticos da

Leia Mais