Entender e otimizar o ciclo de concentração em caldeiras é uma das formas mais diretas de reduzir purgas, economizar água/energia e proteger o equipamento. Isso porque mesmo com o tratamento convencional da água de alimentação, ainda podem permanecer pequenas quantidades de sais dissolvidos. Dentro da caldeira, a água evapora para gerar vapor, e os sais não evaporam junto. Resultado: eles se concentram no interior do sistema, podendo causar incrustação, danos estruturais, perda de eficiência e aumento no consumo de combustível.
O que é o ciclo de concentração em caldeiras?
O ciclo de concentração em caldeiras é a relação entre a concentração de um determinado íon (ou parâmetro) na água da caldeira e a concentração desse mesmo íon na água de alimentação. De forma prática: ele indica quantas vezes os sólidos dissolvidos estão mais concentrados dentro da caldeira em comparação à água que entra.
A expressão mais comum é:
N = [C]caldeira / [C]alimentação
Onde:
N = número de ciclos (adimensional)
[C]caldeira = concentração de um íon na caldeira
[C]alimentação = concentração do mesmo íon na água de alimentação
A quantidade máxima de ciclos permitidos deve respeitar os limites do fabricante (exemplo: condutividade, sílica, alcalinidade etc.).
Quanto maior o ciclo de concentração em caldeiras:
– Menor o volume de purga necessário;
– Maior a eficiência térmica e operacional (menos calor indo embora pela purga);
– Menor consumo de água de reposição e de produtos químicos associados;
– Mais estabilidade de operação, com menos risco de incrustação e arraste, quando bem controlado.
O ponto de atenção é que ciclos elevados exigem água de alimentação com alta qualidade e monitoramento consistente. Caso contrário, você pode elevar o risco de incrustação, espuma e arraste, além de corrosão em partes do sistema.
Purga e ciclo de concentração em caldeiras: a relação direta
A purga é a retirada deliberada de parte da água da caldeira para evitar que a concentração de sais ultrapasse o limite seguro. Ou seja:
Se a qualidade da água de entrada é baixa → os sais sobem rápido → mais purga → menos ciclos.
Se a qualidade da água de entrada é alta → os sais sobem devagar → menos purga → mais ciclos.

Na prática, os maiores “travadores” do ciclo de concentração em caldeiras costumam ser:
✔ Dureza (Ca²⁺ e Mg²⁺) → incrustação e depósitos
✔ Sílica (SiO₂) → depósitos difíceis e limitantes severos em algumas condições
✔ Alcalinidade → pode favorecer condições de espuma/arraste e desequilíbrios de pH
✔ Sólidos Dissolvidos Totais (TDS) / condutividade → limite operacional típico para definir purga
✔ Ferro e sólidos → contaminação, depósito e problemas de troca térmica
A estratégia central para elevar o ciclo de concentração em caldeiras é reduzir contaminantes antes da água entrar no sistema, e controlar a caldeira com monitoramento e automação. Abaixo, as ações mais efetivas.
1. Melhora na água de alimentação
– Através de sistemas de abrandamento por troca iônica: o abrandamento remove cálcio e magnésio (dureza), substituindo-os por sódio. Isso já permite elevar significativamente o ciclo de concentração em caldeiras, reduzindo o principal gatilho de incrustação que força purgas mais frequentes.
Boas práticas:
– garantir regeneração correta;
– acompanhar dureza na saída do abrandador;
– validar vazões, tempo de contato e condição da resina
– Através de sistemas de desmineralização: para exigências mais altas (especialmente caldeiras de média/alta pressão), a desmineralização busca remover praticamente todos os cátions e ânions, podendo incluir controle de sílica e polimento com leito misto.
Com menor TDS e menor sílica na entrada, fica mais viável elevar o ciclo de concentração em caldeiras sem estourar limites de condutividade e sílica.
– Através de osmose reversa (OR): a osmose reversa costuma ser uma das tecnologias mais eficientes em custo operacional para reduzir TDS antes da caldeira. Uma OR bem dimensionada pode remover a maior parte dos sais (e reduzir sílica e matéria orgânica), permitindo ciclo de concentração em caldeiras mais alto e menos purgas.
Em cenários mais críticos, a água da OR pode ser “polida” com leito misto ou EDI (eletrodeionização).
2. Controle químico bem ajustado
Mesmo com boa água de entrada, a caldeira precisa de um programa de controle químico coerente com a aplicação e as metas de ciclo. Em geral, o objetivo é:
– reduzir tendência de incrustação e depósitos;
– controlar alcalinidade/pH conforme regime do sistema;
– minimizar espuma/arraste;
– reduzir corrosão em alimentação e condensado
Importante: “aumentar ciclos” sem revisar o controle químico e os limites operacionais é receita para instabilidade.
3. Automação e monitoramento da purga
Uma das maneiras mais rápidas de melhorar eficiência é sair do achismo e ir para controle por variável.
Ações-chave:
– monitorar condutividade (e, quando aplicável, sílica e outros parâmetros);
– implementar controle automático de purga, mantendo o sistema no ponto ideal;
– acompanhar tendência e desvios (picos indicam contaminação, falhas no pré-tratamento, retorno de condensado comprometido etc.)
Esse tipo de automação ajuda a manter o ciclo de concentração em caldeiras estável, com menos desperdício de água e energia.
4. Proteger o retorno de condensado para sustentar o ciclo de concentração em caldeiras
Quando o condensado retorna com qualidade, ele reduz demanda de reposição e melhora o balanço do sistema. Mas condensado contaminado (óleos, ferro, CO₂, etc.) derruba a estabilidade e aumenta purgas.
Boas práticas incluem:
– controle de corrosão no condensado (ex.: aminas, conforme projeto);
– atenção ao CO₂ gerado e seu impacto em pH;
– controle de contaminações por óleo e sólidos;
– desaeração eficiente e, se aplicável, eliminadores de oxigênio.

Como a Liter ajuda a aumentar o ciclo de concentração em caldeiras
A Liter atua como parceira técnica para elevar o ciclo de concentração em caldeiras com segurança e resultado, apoiando sua operação em:
✔ Diagnóstico completo do sistema (água de reposição, alimentação, caldeira e condensado);
✔ Otimização do tratamento de água (abrandamento, desmineralização, OR e polimentos);
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