Como Funcionam os Injetores de Válvulas Runlucky: Parte II

No primeiro artigo Como Funcionam os Injetores de Válvulas Runlucky apresentamos os princípios físicos do funcionamento dos injetores e as famílias de injetores de acordo com a vazão operacional da válvula.

A seguir, a Liter irá se aprofundar nos modelos de injetores de válvulas Runlucky disponíveis e como selecionar o ideal, uma vez que este dispositivo é o principal responsável pelo bom funcionamento da etapa de regeneração das resinas de troca iônica utilizadas para montagem dos abrandadores e desmineralizadores.

Entenda a responsabilidade dos injetores de válvulas Runlucky

Os injetores são responsáveis por regular as vazões de sucção de produto químico, lavagem lenta e regeneração. A concentração de aplicação do regenerante é também controlada pelo modelo de injetor. A Tabela 1 apresenta todos os modelos de injetores disponíveis, os modelos de válvulas adequadas para o uso de cada injetor e os principais dados de processo para cada dispositivo.

Tabela 1 – Relação entre os modelos de injetores, as válvulas aplicáveis a cada modelo e principais dados de processo na condição padrão de pressão de entrada igual a 3 bar.

Durante a regeneração, a pressão negativa formada na garganta do injetor Venturi causa a sucção do regenerante armazenado e utilizado para regeneração. A Figura 1 apresenta um esquema das principais vazões envolvidas nesta etapa.

Figura 1 – Esquema do injetor Venturi funcionando na etapa de sucção do regenerante durante o processo de regeneração de resinas de troca iônica.

Como vemos na Figura 1, a vazão de água correspondente a (QL.L) se mistura com a vazão sugada pela baixa pressão na garganta do injetor (Qsucção) para formar uma única corrente (Qdreno). Desta forma, se considerarmos que as densidades de todos os fluxos e a densidade da água pura são aproximadas, podemos escrever o balanço de massas em termos de vazão volumétrica como:

Equação 1.

Portanto, vemos que se subtrairmos a vazão de dreno da vazão de lavagem lenta (dados apresentados na Tabela 1) obtemos a vazão de sucção do produto no interior do tanque contentor.

Se aplicarmos um balanço de massa por componentes para o regenerante, obtemos a Equação 2, que pode ser utilizada para calcular a concentração do produto químico no interior do tanque contentor (Creg,cont) a fim de atingir a concentração de aplicação (Creg,a) para determinado modelo de injetor.

Equação 2.

A Equação 2 é muito útil no projeto de sistemas de desmineralização, em que é preciso especificar a concentração de aplicação do HCl para resina catiônica (2 – 5%) e a concentração de NaOH para a resina aniônica (2 – 4%). Para abrandadores, nos quais o sal é deixado em saturação no tanque saleiro, a Equação 2 pode ser utilizada para calcular a concentração de aplicação (Creg,a) para determinado modelo de injetor, uma vez que sabemos que a concentração no contentor (Creg,cont) é igual a 26%.

Ao saber a vazão de dreno durante a etapa de sucção do regenerante podemos facilmente calcular as velocidades específicas de regeneração de acordo com a Equação 3.

Equação 3.

Onde VR é o volume de resina (L) e QPdreno é a vazão do dreno (L/h).

Desta forma, se os parâmetros de regeneração calculados ficarem fora dos limites recomendados, para a boa operação da resina pode-se alterar o modelo de injetor a fim de buscar adequação dos requisitos de regeneração.

Ao término da sucção de produto químico, a vazão Qsucção é cessada e inicia-se a lavagem lenta. A Figura 2 apresenta diagrama ilustrativo desta etapa.

Figura 2 – Vazões através do injetor Venturi ao término da sucção de regenerante.

Sendo assim, podemos calcular as velocidades específicas de lavagem lenta usando a Equação 4, e se a velocidade estiver fora dos limites recomendados, a alteração de injetor pode adequar a montagem do equipamento para maximizar a eficiência da regeneração.

Equação 4.

Onde VR é o volume de resina (L) e QPL.L é a vazão do dreno (L/h).

As vazões através do injetor comentadas até aqui são funções da pressão, ou seja, um aumento de pressão de entrada no injetor levará a um aumento da vazão através do injetor. Para prever como as variações de pressão influenciam no comportamento do injetor, pode ser utilizado o software de dimensionamento integrado (disponível em breve), desenvolvido pela Liter para auxiliar no processo de dimensionamento de equipamentos de troca iônica usando válvulas de controle da Runlucky.

Compartilhe esse conteúdo:

Leia também

Problemas em Bombas Dosadoras: causas, diagnóstico e soluções no tratamento de água

As bombas dosadoras de diafragma são equipamentos essenciais em sistemas de tratamento de água e efluentes, responsáveis pela aplicação precisa de produtos químicos como cloro, coagulantes, anti-incrustantes e corretores de pH. Por isso, qualquer falha operacional pode gerar sérios problemas em bombas dosadoras, comprometendo a dosagem química no tratamento de água e a eficiência do processo. Os problemas em bombas dosadoras geralmente são causados por entrada de ar na sucção, cavitação, válvulas desgastadas, ausência de contrapressão, cristalização de produto químico ou falta de manutenção preventiva. Essas falhas provocam perda de vazão, dosagem incorreta e instabilidade no tratamento de água. Quando ocorre qualquer falha de operação, o impacto não fica apenas no equipamento — afeta diretamente a qualidade da água tratada, a eficiência química do processo e o custo operacional da planta. Grande parte dos problemas em bombas dosadoras não está relacionada ao equipamento em si, mas sim a: Nesses casos, a falta de manutenção da bomba dosadora é uma das principais origens das falhas operacionais. Conhecer os principais sintomas, suas causas e as soluções corretivas é fundamental para aumentar a confiabilidade do sistema de dosagem. Quais são os problemas mais comuns em bombas dosadoras? A seguir, listamos os problemas mais

Leia Mais

Problemas e soluções em sistemas UV

Neste artigo, você vai ver os problemas mais comuns e as soluções em sistemas UV para diagnosticar rapidamente a causa raiz, e como a Liter atua no diagnóstico e otimização para recuperar eficiência e segurança microbiológica com ações objetivas. Isso é importante porque a desinfecção por luz ultravioleta (UV) se consolidou como uma alternativa forte a métodos químicos por não gerar subprodutos e não alterar sabor e odor. Na prática, porém, o desempenho do UV não depende só de ligar o equipamento, mas sim da dose entregue, qualidade da água, hidráulica, manutenção e controle. Como funcionam as soluções em sistemas UV na desinfecção Em sistemas UV, a água passa por uma câmara onde a radiação ultravioleta (tipicamente UVC) atinge os microrganismos e os inativa, impedindo sua multiplicação. Para isso acontecer de forma consistente, o sistema precisa entregar uma dose adequada, que depende principalmente de: – Transmissão UV (UVT) e qualidade óptica da água (turbidez, cor, matéria orgânica, ferro/manganês etc.); – Potência efetiva da lâmpada (envelhecimento, balastro, estabilidade elétrica); – Hidráulica (vazão real, tempo de contato, curtos-circuitos hidráulicos, mistura); – Limpeza da luva de quartzo (fouling e incrustação “roubam” UV). É aqui que entram as soluções em sistemas UV: identificar qual

Leia Mais